"O humor é coisa séria"

30/08/2014 22:54

A Matéria Emplacada inicia neste sábado (30), série de entrevistas com personas que até 2014, fizeram parte da história dos 41 anos do Salão Internacional do Humor de Piracicaba (SP). O evento foi aberto no último sábado (23), e segue até o dia 12 de outubro, com 368 obras expostas em mostra oficial e paralelas, no Engenho Central e outros espaços de Piracicaba (SP), além da cidade de São Paulo.

O primeiro entrevistado da série é o artista plástico Robinson José da Silva, 47. Vencedor na categoria caricatura na edição 41 do Salão Internacional de Humor, Silva afirma que o humor é “coisa séria”.

Campinense morando em Sumaré (SP), Silva já foi premiado e reconhecido por seus trabalhos em diversos festivais de artes, entre eles, o Mapa Cultural Paulista 2012/2013, em que foi classificado em 1° lugar na categoria Artes Plásticas.  

Atuando também como voluntário na União Cristã Feminina (UCF), o artista conversou com a reportagem da ME, logo após a solenidade de premiação do 41° Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Confira trechos da entrevista. 

Matéria Emplacada – Há quanto tempo você desenha?

Robinson José da Silva - Desde 1982. É uma historia inusitada, formei em artes plásticas em 1995, mas em 1999 parei de desenhar. Parei por 10 anos. Então eu tive um guru que me convenceu em voltar às artes, e também faria uma homenagem particular a Paulo branco. Com a vollta, em 2009 ganhei menção (honrosa) aqui no Salão Internacional de Humor com Marcelo Taz.

ME – O desenhista analisa e dá ênfase maior no que ocorre na sociedade. Como é feita esta análise?

R.J.S - No meu particular eu procuro saber sobre a pessoa. Aliás, a grande sacada desta minha caricatura (do Cartola), foi utilizar um objeto, que pode dizer que é uma sucata, e transformar no cartola.

ME - Qual foi o objeto utilizado?                           

R.J.S. - Seu falar você vai dar risada, era um amassador de purê de batata (risos).

ME. – Houve mudanças na visão dos desenhistas deste ano em relação há 30 anos?

R.J.S. - Sempre tem, as criticas, os momentos, são diferentes. Até os protestos atuais e da época são diferentes. Acho que a informação que eles estão trazendo, tiram de base do que está crescendo cada vez mais, talvez estejamos criando um vínculo cultural e politico em visão das coisas que ocorrem.

ME - Qual a importância você vê do Salão Internacional de Humor de Piracicaba?

R.J.S - Bom, duas importâncias. Primeiro a visibilidade para os artistas, cartunistas e ilustradores, que têm dificuldades para conseguir espaços. Essa importância do salão é muito importante. É o mundo vendo eles. Caricatura tem sinônimo de esculacho, a caricatura, faz ter um trabalho mais aprofundado. É uma releitura que falo o seguinte: a gente precisa saber o que é a beleza hoje. Considero que o caricaturista põe a alma no trabalho. A segunda é satisfação de ter o trabalho reconhecido.

ME -  Como você define o humor?

R.J.S – O humor é coisa séria! (Risos).

 

Reportagem: Reinaldo Diniz

Fotos: Reinaldo Diniz